
Envelhecer é uma faca de dois gumes - por um lado, é muito bom adquirir conhecimentos, sabedoria, amadurecer de uma forma geral. É um ganho de liberdade, autonomia para poder decidir o que se quer fazer.
Por outro lado, é péssimo, pois aos poucos vemos elementos do nosso passado, figuras que nos davam tanta segurança, indo embora. Vem então a sensação do vazio, da insegurança, do "não sei o que fazer agora". E olhamos para nossas vidas e nos damos conta, subitamente, de que passamos a ocupar o lugar dos nossos pais, eles ocupam então o lugar que era dos nossos avós e as crianças da família, o lugar que era nosso até pouquíssimo tempo atrás!
A matriarca da nossa família se foi neste domingo, 13/08. Marília, 95 anos. agora, a mais velha é minha tia Nylza, irmã dela, de 85 anos. Mas o elemento agregador agora é a Maiz (minha madrinha), filha da tia Marília. E de repente eu olho pra mim mesma e me vejo de uma forma como nunca havia me visto antes. A família em que eu nasci já quase não existe mais. Agora temos outra família, nascida daquela. Não tenho filhos (ainda), mas a Luiza é minha "irmã-filha" e entendo agora por que ser mãe não é fácil. Antigamente, eu queria muito ter filhos, mas esquecia que, pra isso, eu precisaria crescer primeiro...rs... E se ser mãe não é fácil, crescer é mais difícil ainda!...rs... É preciso aprender a ser despojada, saber envelhecer, entender que os papéis mudam e curtir isso.
Não imaginava que fosse ser tão complicado ver minha tia Marília partir... Embora eu saiba que ela precisava ir, já não havia como continuar aqui. Com ela se foi uma parte importante da vitalidade da nossa família, talvez o elo mais forte que nos unia até então. Vamos ver a partir de agora, como vai ser. Só sei de uma coisa: vai depender de nós, que ficamos, manter esses elos unidos ou não. Deus nos ajude a mantê-los unidos!
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